O Óleo da Unção
ÓLEO DA UNÇÃO - Tiago 5:14-15
I. O que significa ungir com óleo?
A palavra "ungir" significa consagrar ou tornar sagrado em uma cerimônia que inclui a aplicação de óleo.

1.1 Antigo Testamento
Quando sacerdotes eram eleitos para seus cargos, eles eram ungidos (Êxodo 29:29 ; Levítico 16:32).
Profetas também eram ocasionalmente ungidos para assumir seus cargos (1 Reis 19:16 ; Salmo 105:15 ; 1 Crônicas 16:22 ).
Em Israel, era comum ungir a cabeça dos reis com óleo. Quando encontramos o jovem Davi pela primeira vez em 1 Samuel 16 , o profeta Samuel o ungiu . Samuel também ungiu a cabeça do rei Saul.
As Escrituras também revelam que o tabernáculo, certos utensílios e móveis usados no tabernáculo eram ungidos com óleo sagrado para separá-los (Êxodo 25:6 ; Levítico 8:30 ; Números 4:16 ).
1.2 Novo Testamento
No Novo Testamento, os discípulos ungiam os enfermos, conforme Jesus Cristo os havia ensinado. "Expulsavam muitos demônios e ungiam muitos enfermos com óleo, curando-os" ( Marcos 6:13 ).
A Unção dos Enfermos é uma cerimônia com base bíblica, realizada para aqueles que estão doentes. Essa cerimônia é uma súplica a Deus pela saúde física e cura do indivíduo.
II. O óleo da unção possui poderes sobrenaturais?
Tiago incentiva o ato de ungir os enfermos com óleo, não porque o óleo, em si, tenha propriedades curativas especiais, mas sim pela oração que clama pela unção real, do Espírito Santo sobre o enfermo. O propósito da unção com óleo simboliza a consagração a Deus, como em Números 3:3 , Salmo 89:20 , Salmo 23 e 1 Samuel 10:1 .
"Está alguém entre vocês doente? Chame os presbíteros da igreja, para que orem sobre ele e o unjam com óleo em nome do Senhor. A oração feita com fé curará o doente, e o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." (Tiago 5:14-15 )
Esta passagem não está dizendo que devemos chamar os presbíteros da igreja para cada tosse ou espirro. Ela diz: "que chamem", o que indica que a pessoa pode estar gravemente doente.
Recorremos aos nossos presbíteros quando precisamos de ajuda porque confiamos e temos fé de que, por meio de sua experiência e intercessão, eles sabem como lidar com nossas necessidades e expressá-las a Deus e a à igreja para que nos ajudem.
A unção com óleo é o ato físico de expressar a verdade espiritual: pertencemos a Deus e confiamos completamente em Seus cuidados. Orar com os presbíteros expressa nossas necessidades em palavras e espírito, enquanto a unção com óleo declara isso em ação.
2.1 Devemos ungir os enfermos com óleo hoje em dia?
O Contexto de Tiago 5:14-15
A passagem de Tiago é o "padrão ouro" para essa discussão. Ela não apresenta a unção como uma sugestão vaga, mas como uma instrução dentro de um contexto comunitário de cuidado e fé.
O papel dos presbíteros e da oração
O texto diz: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor". Note que o foco não está apenas no óleo, mas na ação conjunta: o chamado de quem sofre, a intercessão das lideranças e a autoridade do nome do Senhor.
O efeito da "oração da fé"
Tiago enfatiza que é a "oração da fé" que salvará o doente. O óleo, nesse sentido, atua como um símbolo visível de uma realidade invisível: a consagração daquela pessoa ao cuidado específico de Deus. É como se o óleo fosse um "ponto de contato" para a fé, ajudando os sentidos humanos a se concentrarem na promessa divina.
A unção com Óleo como tradição cristã
Para muitos, ungir é um ato de tradição apostólica. Se os apóstolos a praticavam, conforme as Escrituras, e não há proibição, ungir com óleo hoje é uma forma de dizer: "Senhor, estamos mantendo a tradição apostólica, que a Tua Palavra descreve, confiando totalmente no Teu poder".
A Liberdade da Fé (Romanos 14:22)
Romanos 14 trata de "questões discutíveis" — coisas que não são essenciais para a salvação, mas que afetam a caminhada do crente.
A unção com óleo é uma questão de liberdade cristã, não de mandamento universal. Romanos 14 trata justamente de práticas onde:
- Não há proibição explícita;
- Não há ordenança explícita;
- A convicção pessoal é legítima.
Convicção pessoal e paz
Se para você a unção é um gesto que fortalece sua fé e o aproxima de Deus no momento da dor, ela é válida e proveitosa. Se outra pessoa prefere apenas a oração silenciosa, sem o elemento físico do óleo, ela também está amparada pela Bíblia, pois o agente da cura é Deus, não a substância.
O perigo da superstição
Ungir os enfermos com óleo é uma prática válida e edificante para muitos, especialmente se feita com fé e oração, mas não deve ser vista como uma obrigação universal e nem agregado à superstição. O cuidado necessário é não transformar o óleo em um amuleto. O poder reside em Deus. O óleo é o símbolo; a fé é o canal; e a vontade de Deus é o destino final.
Reflexão
A unção com óleo hoje é uma prática belíssima de fé, humildade e intercessão. Ela nos lembra que somos seres físicos e que Deus se importa com nossos corpos tanto quanto com nossas almas. Se o seu coração sente paz e convicção nessa prática, ela se torna um exercício de devoção genuíno e encorajador.
III. Contexto Bíblico da Unção de Jesus em Marcos 14:3-9
No Evangelho de Marcos, uma mulher (identificada como Maria de Betânia em João) unge Jesus com um perfume caro de nardo puro, derramando-o sobre sua cabeça. Isso acontece em Betânia, pouco antes da crucificação.
Simbolismo no texto
Jesus interpreta o ato como uma preparação para sua sepultura: "Ela ungiu antecipadamente o meu corpo para o sepultamento" (Marcos 14:8). Era um gesto de honra e consagração, comum no judaísmo antigo para reis, profetas e até para preparar corpos para o enterro. O perfume caro simbolizava sacrifício e devoção, contrastando com as críticas dos discípulos sobre o "desperdício".
Essa unção não era uma "unção oficial" como as do Antigo Testamento (ex.: para reis ou sacerdotes), mas um gesto espontâneo e profético, apontando para a morte e ressurreição de Jesus. Ela reflete temas de consagração e preparação para o fim da vida.
3.1 Relação entre o Ato em Marcos 14 e as Práticas Contemporâneas
O episódio de Marcos 14 enfatiza a unção como preparação para a morte, o que ecoa diretamente na função da unção dos enfermos como um rito que prepara o cristão para o encontro com Deus, especialmente em momentos de fragilidade ou proximidade da morte. Assim como a mulher ungiu Jesus para seu "sepultamento", a unção moderna "prepara" o fiel para a passagem, oferecendo graça e paz.
O ato em Marcos é visto por teólogos (especialmente católicos) como um prefiguração ou inspiração para a unção dos enfermos. Jesus aceita a unção como um gesto de amor e profecia, o que reforça a ideia de que a unção com óleo pode ser um sinal de misericórdia divina em tempos de sofrimento. Tiago 5:14-15 fornece a instrução mais explícita para ungir os doentes, mas Marcos 14 adiciona uma camada simbólica de consagração para a morte.
3.2 Diferenças:
- O ato em Marcos é único e messiânico, focado em Jesus como o Ungido (Cristo). Não é um ritual repetível para todos.
- Práticas modernas são rituais eclesiais, aplicados a fiéis comuns, com ênfase em cura divina, não apenas preparação para a morte.
Em resumo, o ato em Marcos 14 serve como um símbolo profético que inspira a unção contemporânea, destacando temas de consagração, sacrifício e preparação para o fim da vida.
IV. Do Tabernáculo ao Lar: A Transição de Símbolos
Embora as prescrições de Êxodo e Levítico fossem específicas para o sacerdócio levítico e o mobiliário do Tabernáculo, elas deixaram um princípio espiritual: a santidade ao Senhor.
Ao aplicar o óleo em sua casa, o cristão está usando um elemento visual para declarar uma verdade espiritual. O perigo reside em tratar o óleo como um "amuleto" que, por si só, afasta o mal, ignorando que é a presença de Deus e a obediência à Sua Palavra que santificam o lar.
Princípios para a Prática no Lar
Para que a unção da casa permaneça no campo do adiáforo e seja espiritualmente proveitosa, alguns critérios podem ser observados:
- Gratidão e dedicação da família a Deus.
- Baseado na autoridade do nome de Jesus.
- Acompanhado de oração e leitura bíblica.
- Respeitar quem não tem esta prática.
Consagração verdadeira — A consagração bíblica da família ocorre através de:
- Oração (1 Tessalonicenses 5:17).
- Ensino da Palavra (Deuteronômio 6:6-7).
- Exemplo piedoso (1 Timóteo 4:12).
- Dedicação a Deus (Romanos 12:1-2).
A Primazia do Coração
Se a prática é feita para a glória de Deus, com uma consciência limpa e sem criar uma nova "lei" para os outros, ela se torna um exercício legítimo de devoção pessoal.
O "lar consagrado" é construído muito mais pelas atitudes, palavras e amor que residem ali do que pelo óleo nas ombreiras das portas. No entanto, o gesto físico pode servir como um poderoso lembrete visual para toda a família de que aquele território pertence ao Reino de Deus. O segredo está em manter o símbolo como um servo da fé, e nunca como o senhor dela.
Ungir a morada é uma prática que alguns cristãos adotam simbolicamente para expressar consagração, proteção espiritual ou dedicação da família a Deus, inspirada nos padrões do Antigo Testamento, mas adaptada à liberdade do Novo.
Josué 24:15: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor". É como uma oração ou dedicação pessoal, selada com um ato de fé.
V. Símbolo e Substância: Uma Relação Orgânica
O símbolo não é apenas um sinal arbitrário, mas uma realidade que aponta para algo maior, sem esgotá-lo. No contexto bíblico, especialmente na tradição judaico-cristã, os símbolos (como o óleo da unção, o templo, os sacrifícios) não são meras representações vazias, mas meios pelos quais a realidade espiritual se torna tangível e acessível ao povo de Deus.
No Antigo Testamento, o óleo da unção era usado para consagrar reis, sacerdotes e objetos sagrados (Êxodo 30:22-33). Esse óleo não era mágico, mas um símbolo da presença e da escolha divina. Ele tornava visível e concreta a realidade da unção de Deus sobre aquelas pessoas e coisas.
No Novo Testamento, a unção do Espírito Santo (2 Coríntios 1:21-22; 1 João 2:20, 27) é apresentada como a realidade plena para a qual o óleo do AT apontava. O Espírito não é um símbolo, mas a própria presença de Deus agindo no crente.
5.1 A Tradição e a Fé do Povo de Deus
A tradição (no sentido bíblico) é o fio condutor que liga símbolo e substância. Ela preserva o significado, evita a redução do sagrado a mero ritualismo e mantém viva a memória da ação de Deus. Por exemplo:
- A Páscoa judaica (símbolo) apontava para a libertação do Egito, mas também para a Páscoa de Cristo (substância), a verdadeira libertação do pecado (1 Coríntios 5:7).
- O maná no deserto (símbolo) alimentava o corpo, mas Jesus se apresenta como o pão da vida (substância), que alimenta a alma (João 6:31-35).
A fé do povo de Deus é que reconhece e celebra essa ligação: os símbolos não são abandonados, mas transfigurados à luz da revelação plena em Cristo.
5.2 O Símbolo como Janela para o Mistério
O símbolo nunca esgota a realidade que representa. Ele é como uma janela: permite ver algo do mistério, mas não o contém por completo. Por isso, a espiritualidade cristã valoriza tanto as ordenanças e práticas cristãs: batismo, comunhão, unção dos enfermos, etc.): eles são sinais eficazes da graça de Deus, mas a graça em si é sempre maior do que o sinal.
5.3 Aplicação Prática
Essa compreensão nos ajuda a:
- Valorizar os símbolos sem idolatrá-los (o óleo, a água, o pão, etc.);
- Buscar a substância sem desprezar os meios que Deus nos deu para experimentá-la;
- Viver a fé de forma integrada, unindo o visível e o invisível, o material e o espiritual.
VI. Ungidos Para Servir
Jesus foi ungido para servir, ministrar, realizar com poder a sua missão.
"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos." Lucas 4:18.
Como discípulos de Jesus, somos ungidos pelo Espírito Santo para servir, ministrar e cumprir a missão que Ele nos confiou. A unção no Novo Testamento é primariamente espiritual — o derramamento do Espírito Santo — e não apenas um ritual externo, como no Antigo Testamento. A unção nos capacita para o serviço no Reino de Deus.
A Unção de Jesus como Modelo
Lucas 4:18 cita Isaías 61:1-2, onde Jesus declara Sua unção para pregar, libertar e ministrar. Isso é um cumprimento profético, mas Jesus não parou aí: Ele prometeu que Seus seguidores receberiam uma unção similar para continuar Sua obra. Em João 14:12, Ele diz: "Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai" (NVI). Isso aponta para o dinamismo poderoso dos discípulos pelo Espírito.
Somos Ungidos para Servir?
Sim, a Bíblia ensina que todo crente é ungido pelo Espírito Santo ao receber a salvação.
1 João 2:20-27 – Essa passagem é direta sobre a unção dos crentes: "Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento.
Atos 1:8 – Jesus promete: "Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra" (NVI).
1 Coríntios 12:7, 11— "A cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum... Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo a cada um particularmente como quer."
Efésios 4:11-12 – "Assim, ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado" (NVI).
1 Pedro 2:9 – "Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (NVI).
Aplicação Prática para Nós Hoje
Todos somos chamados: Assim como Jesus foi ungido para libertar os oprimidos, nós somos chamados a fazer o mesmo — pregando o Evangelho, ajudando os necessitados e combatendo o mal espiritual (Efésios 6:10-18).
Busque a unção: Se você sente falta de poder, ore por um enchimento do Espírito (Efésios 5:18: "Enchei-vos do Espírito"). Mas lembre-se: o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23) é evidência da unção, e o serviço é o teste dela.
Conclusão
Sim, somos ungidos para servir!
A unção não é exclusividade de Jesus — é herança de todo discípulo. Diferenças importantes:
✓ Jesus foi ungido uma vez — de forma única e definitiva para cumprir a redenção.
✓ Nós somos ungidos continuamente — pelo Espírito Santo que habita em nós.
✓ A unção nos capacita — para testemunhar, servir, curar, libertar, edificar.
✓ É uma realidade presente — não apenas promessa futura, mas poder disponível agora.
A grande verdade: Você não apenas recebeu a unção — você é ungido pelo Espírito Santo para cumprir a missão de Cristo em seu contexto e geração.
Pense nisso e que Deus nos abençoe rica e abundantemente. Amém!
