Culto à Tradição
CULTO À TRADIÇÃO = CULTURA!
Análise do Versículo de Mateus 15:6
O versículo de Mateus 15:6 faz parte de uma crítica importante de Jesus sobre tradições religiosas que contradizem o propósito original dos mandamentos divinos. Neste contexto específico, Jesus está confrontando os líderes religiosos de sua época sobre uma prática chamada "Corban", que permitia às pessoas declararem seus bens como dedicados a Deus, eximindo-se assim de responsabilidades familiares, como cuidar de seus pais idosos.

Contexto Histórico
1- A Lei de Deus: No Antigo Testamento, a responsabilidade de cuidar dos pais idosos aparece principalmente no mandamento de "Honrar pai e mãe" (Êxodo 20:12; Deuteronômio 5:16). Esse princípio não se limita a respeito verbal, mas inclui zelo, cuidado e sustento na velhice
O cuidado com os pais idosos não era apenas uma questão social, mas um mandamento divino. Honrar pai e mãe era visto como caminho para bênçãos e vida longa. Em outras palavras, cuidar dos pais é cuidar da própria fé.
2- A Cultura Judaica: Na cultura judaica da época, existia uma tradição que potencialmente anulava o mandamento divino de honrar pai e mãe. Através da declaração de "Corban" (uma oferta dedicada a Deus), as pessoas podiam declarar que seus bens estavam consagrados religiosamente, usando isso como desculpa para não ajudar financeiramente seus pais necessitados.
A prática de criar normas e interpretações adicionais à Lei mosaica, incluindo a apropriação de recursos como o Corban, começou a se desenvolver significativamente durante o século I a.C. e os séculos seguintes, onde várias escolas rabínicas, após o desenvolvimento do Judaísmo do Segundo Templo, passaram a estabelecer tradições orais e regras que complementavam a Lei escrita.
Princípio Fundamental: A Supremacia da Palavra de Deus sobre Tradições Humanas
O princípio essencial transcende o contexto histórico específico e se aplica universalmente:
Princípio Teológico Central
A Palavra de Deus sempre prevalece sobre tradições religiosas humanas, não importa quão antigas, estabelecidas ou culturalmente enraizadas sejam essas tradições.
Aplicações Contemporâneas
Alguns exemplos práticos deste princípio incluem:
- Tradições Culturais vs. Mandamentos Divinos.
· Práticas culturais que contradizem princípios bíblicos.
· Costumes religiosos que não refletem o amor e a graça de Deus.
· Rituais que substituem o verdadeiro propósito espiritual.
Armadilhas Religiosas Comuns
- Transformar tradições em "lei".
- Criar hierarquias religiosas que se sobrepõem à autoridade divina.
- Interpretar a Bíblia de forma particular, perdendo sua essência moral.
Estrutura morfológica da palavra Cultura:
Radical: cult- → vem do verbo latino colere, que significa "cultivar, cuidar, habitar, venerar, adorar".
Sufixo: -ura → em português, esse sufixo forma substantivos que indicam ação, resultado ou condição (ex.: pintura, costura, fissura).
Origem no latim cultura, que significava literalmente "ato de cultivar a terra".
Com o tempo, o sentido se ampliou para "cultivo das capacidades humanas", "formação intelectual", e depois para o conjunto de hábitos, valores e práticas de um povo.
A palavra "cultura" hoje carrega múltiplos sentidos:
Resumindo:
Cultura = cult- (cultivar, cuidar) + -ura (resultado/ação) → "ato de cultivar" → ampliado para "formação" e "modo de vida e espiritualidade".
A diferença entre princípios eternos da Palavra de Deus e tradições humanas.
Um Exemplo Clássico de Uma Tradição Religiosa Não Encontrado Nas Escrituras
A Bíblia nunca ordena a celebração do nascimento de Cristo como uma festa anual.
O foco do Novo Testamento está em lembrar a morte e ressurreição de Jesus (Ceia do Senhor – 1 Coríntios 11:23-26).
O Antigo Testamento já alertava contra a mistura com práticas pagãs: "Não aprendereis a maneira das nações" (Jeremias 10:2).
Sobre a Tradição do Natal
Antes da oficialização do Natal em Roma por volta do século IV, não há registros históricos ou arqueológicos confiáveis que indiquem a existência de celebrações natalinas — ou seja, festividades especificamente cristãs comemorando o nascimento de Jesus Cristo — em outros locais. O que se tem evidência são festividades pagãs que ocorriam na mesma época do ano, especialmente em torno do solstício de inverno (25 de dezembro no hemisfério norte), como a Saturnália romana, o Dies Natalis Solis Invicti (aniversário do Sol Invicto) e o festival Yule dos povos germânicos e escandinavos
Essas celebrações pré-cristãs envolviam troca de presentes, banquetes, iluminação com velas e fogueiras, e simbolizavam o "renascimento" do sol após o solstício. Com a cristianização do Império Romano, a Igreja passou a substituir ou cristianizar essas festas pagãs, atribuindo ao dia 25 de dezembro o nascimento de Jesus como forma de facilitar a conversão dos pagãos e dar um novo significado religioso a uma data já amplamente celebrada
Portanto, não há registros de celebrações natalinas cristãs antes do século IV, mas sim de festividades pagãs que foram mais tarde sincretizadas com o Natal cristão.
Histórico: O Papa Júlio I, em 350 d.C., oficializou a data de 25 de dezembro como o dia de celebração do nascimento de Cristo.
Cronógrafo de 354 - Calendário ilustrado romano, primeiro documento a registrar oficialmente o Natal. Criado para o imperador romano Valentiniano I, por um artista, escriba romano, mestre em caligrafia, Filócalo: Furius Dionysius Filocalus.
Elementos culturais: árvore, enfeites, Papai Noel – todos têm origens que não estão ligadas às Escrituras.
Risco: quando a tradição se torna regra, pode obscurecer o verdadeiro sentido: Cristo, o Verbo encarnado.
O princípio eterno. O que permanece é:
- Adoração sincera – louvor, oração, leitura da Palavra.
- Cristocentrismo – Jesus como foco, não símbolos externos.
- Discernimento – não confundir fé com costumes culturais.
Celebrar a encarnação de Cristo com gratidão e reverência é bíblico; transformar isso em uma festa moldada por paganismo e comércio é humano e carnal. O desafio é manter o coração alinhado com a Palavra, sem deixar que tradições substituam a verdade.
Interpretação Teológica
O versículo (Mateus 15:6) serve como um poderoso lembrete de que a essência da fé não está em rituais ou tradições, mas no amor prático e na integridade moral, conforme as Escrituras. Jesus critica aqui uma abordagem legalista/formalista/rigorosa que usa a tradição, ainda que religiosa, como escape para obrigações fundamentais de amor, cuidado e respeito aos pais, de acordo com as Escrituras.
Passagens bíblicas relevantes
Mateus 15:3 – Jesus pergunta: "Por que transgredis vós o mandamento de Deus pela vossa tradição?" → Aqui Cristo denuncia diretamente o perigo de colocar tradições acima dos mandamentos divinos
Passagens bíblicas relevantes
Mateus 15:3 – Jesus pergunta: "Por que transgredis vós o mandamento de Deus pela vossa tradição?"
→ Aqui Cristo denuncia diretamente o perigo de colocar tradições acima dos mandamentos divinos
Marcos 7:13 – "Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas."
→ Reforça a mesma advertência, mostrando que tradições humanas podem anular a Palavra
Colossenses 2:8 – "Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofia e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo."
→ Paulo alerta contra filosofias e tradições que desviam do evangelho
2 Timóteo 3:14-15 – Paulo incentiva Timóteo a permanecer no que aprendeu das Escrituras, em contraste com influências externas.
→ Mostra que a segurança está na Palavra, não em costumes culturais
Deuteronômio 18:9 – "Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações."
→ Um alerta contra absorver práticas culturais pagãs
Reflexão Crítica
- Consumo substituindo contemplação
- Presentes substituindo o presente de Deus
- Ruído comercial obscurecendo mensagem essencial
A reflexão evidencia como valores espirituais podem ser progressivamente substituídos por interesses comerciais, exigindo consciência e postura crítica dos verdadeiros seguidores da fé.
Aos Cristãos contemporâneos: Há o desafio de manter significado escriturístico do Natal: Redenção da Humanidade!
Conclusão
Esses textos revelam um padrão: a Palavra de Deus é sempre o padrão supremo, e qualquer tradição ou cultura que a contradiga deve ser rejeitada. A Bíblia não condena todas as tradições — algumas podem ser boas e até reforçar a fé — mas quando elas competem com a autoridade divina ou distorcem o significado das Escrituras, tornam-se extremamente perigosas.
Em resumo: Deus chama seu povo a não se deixar moldar por tradições ou culturas contrárias à Sua vontade.
Pense nisso e que Deus nos abençoe rica e abundantemente. Amém!
